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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Paradoxo


Sou margem, rio, alma.
Sou corpo, fala, silêncio profundo.
Fundo, abismo, escuridão.
Paisagem , ornamento, claridade, imensidão.
O contraste perfeito de mim mesma.
Quero ser larva de uma borboleta.
Bruxa virando princesa.
O universo de um planeta.
Ser lua e sol.
Alegria de uma tristeza.
Avareza de uma virtude.
O vazio de uma completude.
A matéria das cinzas.
Vida da morte.
Eternidade de uma finitude.
A dúvida de uma certeza.
A pequenez de uma grandeza.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Sombra

Cálida brisa passageira.
Cheiro de jasmim.
Ei de provar deste vinho envelhecido,
Festejarei este pulsar,
Este instante temperado de sal.
Doce derretendo na boca.
Quero apreciar a vida em cada pedaço,
Em cada mordida.
Já ardi de desejos.
Fui do inferno ao céu.
Agora, pouso em qualquer galho.
Deixo me levar por qualquer vento.
Quero boiar serena nas águas revoltas.
Ficarei acesa em meio ao breu do amor.
Nada mais me prende ou impede.
Fostes uma sombra.
Esperei anoitecer para te ver.
E ,na escuridão,não te enxerguei.
Temos o ouro do amor e não douramos.
Temos o brilhante do afeto e não iluminamos.
Nosso caminho é solitário.
Eu morro por amor.
E, tu morres por amar.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Noutro tempo


Vivi em outras eras.
Sonhei distante.
Ergui grandes pilares,
Catedrais dentro de mim.
Rezei noutras línguas.
Em toda sabedoria,
Encontrei o meu Deus.
Precisei destruída pelo ódio
Vencida pelo amor,
Reconstruídos pela fé!

Luana Barcelos Dantas